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| Lucas Merçon/FFC |
Tem torcedor que olha para as saídas do Fluminense nessa janela e sente um frio na barriga. Eu entendo — perder jogador nunca é fácil, especialmente quando o coração já se apegou ao nome na camisa. Mas quando você para e analisa friamente o que a diretoria fez nessa janela, a conclusão é uma só: foi a coisa certa a fazer.
Santi Moreno vai embora — e tudo bem
Vou ser direto: a passagem de Santi Moreno pelo Fluminense foi uma decepção. Chegou com uma expectativa razoável, vinha de uma boa temporada na MLS, mas simplesmente não se adaptou ao futebol brasileiro. Não encaixou no esquema do Zubeldía, não criou aquela química com os companheiros e, no final, ficou mais tempo na arquibancada do que em campo.
Agora ele vai para o Dallas FC, nos Estados Unidos, em um acordo que envolve empréstimo com opção de compra fixada em torno de R$ 28 milhões. Se o Dallas exercer a opção, o Flu sai no lucro em relação ao que investiu — e isso é o que importa. O clube transforma um ativo que não estava sendo usado em dinheiro real no caixa. Torço para que ele vá bem por lá, porque cada gol do Santi Moreno no Dallas é uma porcentagem a mais chegando nas Laranjeiras.
Transformar um jogador que não rendeu em R$ 31 milhões potenciais é exatamente o tipo de inteligência de mercado que o Fluminense precisava mostrar.
12 saídas — e eu não me arrependo de nenhuma
Doze jogadores deixaram o clube nessa janela. É um número alto, mas quando você olha nome por nome, fica difícil apontar alguma saída que realmente machuca o time tecnicamente. Keno já não era o mesmo de anos atrás. Thiago Silva veio numa missão afetiva linda, mas o momento de encerrar o ciclo havia chegado. Manuel não conseguiu se firmar.
Olha onde estão alguns desses jogadores agora: Keno e Thiago Santos no Coritiba, sendo quarta e quinta opções. Isso diz muito. O Fluminense reconheceu na hora certa que esses contratos pesados já não tinham mais o mesmo retorno em campo, e agiu antes que a situação se tornasse um problema maior.
É duro ver ídolos saindo — e o Thiago Silva, em especial, merece todo o respeito e carinho da torcida para sempre. Mas o futebol é assim: o bem do clube precisa vir antes do apego sentimental. E nessa janela, a diretoria mostrou que entende essa diferença.
A economia que vai fazer diferença no segundo semestre
Aqui está o ponto que mais me anima em tudo isso. Somando salários e encargos de todos os jogadores que saíram, o alívio na folha passa de R$ 50 milhões até o final do ano. Cinquenta milhões. É um número que muda o jogo financeiro do clube completamente.
Pra contextualizar: o Fluminense fez o maior investimento da história ao trazer o Castillo por cerca de 13 milhões de dólares. Um investimento pesado que a torcida cobrou e vai continuar cobrando — cada gol é um pagamento dessa dívida. Mas esse investimento só foi possível porque a diretoria sabia que estava limpando a folha ao mesmo tempo. Não é gasto sem critério, é troca planejada.
Midian e James chegaram dentro desse contexto — jogadores que somam sem inflar a folha ao nível dos medalhões que saíram. É exatamente esse equilíbrio que um clube como o Flu precisa para se manter competitivo sem explodir o orçamento.
Savarino justifica cada centavo — e Arana também
Tem gente que reclama do salário do Savarino, dizendo que é alto demais para o padrão do clube. Eu entendo a preocupação, mas discordo da conclusão. O cara está jogando muito, se recusou a ir para a seleção venezuelana para focar no Fluminense e virou um dos jogadores mais desequilibrantes do Brasileirão. Isso tem preço, e o Flu pagou o preço certo.
O Guilherme Arana é outro que veio para resolver um problema real — a lateral esquerda, que era nossa maior fragilidade defensiva — e já mostrou serviço. Quando você faz contratações assim, cirúrgicas, que atendem necessidades reais do time, o dinheiro gasto se justifica em campo.
Agora é com o Zubeldía
O elenco está montado. A folha está mais enxuta. As vendas estão acontecendo dentro de um planejamento que faz sentido. Agora o trabalho passa para dentro de campo, e aí a responsabilidade é do Zubeldía.
Dezoito jogos em dois meses não perdoam ninguém. Vai precisar rodar o elenco, tomar decisões difíceis na escalação e manter o nível alto mesmo quando os titulares estiverem cansados. A diretoria fez a parte dela nessa janela. Agora é hora do técnico e dos jogadores mostrarem que o investimento valeu a pena.
Eu acredito. E torço muito para que o segundo semestre comprove que essa reformulação toda foi o começo de algo grande. Bora, Flu! 🟢🔴⚪

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